
não posso ser a única a esforçar-me. sinto falta do teu habitual carinho, do teu habitual amor. de não ter de pedir nada disso. parece que já não me amas com antes. não demonstras como antes. não me beijas como antes. não me abraças como antes. não me mimas como antes. não me confortas como antes. nada é como antes. o que tenho de fazer para te ter de volta? para recuperar o rapaz por quem me apaixonei? o que tenho de fazer? já tentei de tudo. mas mal uma discussão se aproxima e eu te falo das minhas inseguranças, tu começas a responder mal, irritado, sem paciência. eu tento apoiar-te e compreender-te, mas não posso ser sempre eu. estou um bocado cansada.
desliguei. recomecei a chorar. estava farta, cansada. as lágrimas fartas escorriam-me pelo rosto. já não chorava há dias, estava apenas a libertar-me. a libertar-me dos fantasmas que insistiam em atormentar-me. os meus próprios fantasmas. entre lágrimas, queria tomar uma decisão. pôr um ponto final. mas sabia que nenhuma decisão daquela grandeza podia ser tomada de cabeça quente. era demasiado importante. na verdade, sempre preferi tomar decisões assim, quando a coragem mora no meu coração, e a raiva me faz dizer tudo aquilo que penso. mais tarde, acalmo-me e arrependo-me. mas lá no fundo, sei que agi corretamente. tenho vários “eus”. a “eu” verdadeira só se liberta em situações drásticas, depois de vários minutos a chorar convulsivamente. naquela altura tenho coragem de falar, de dizer tudo aquilo que está dentro de mim, coisas certas e erradas. tudo aquilo que me atormenta é libertado e transformado em palavras que magoam quem as ouve. não gosto de magoar pessoas. mas porque é que as pessoas insistem em magoar-me a mim? não têm em conta o que eu penso, o que eu quero, o que eu faço. nada disso importa. só elas. vivemos numa sociedade egoísta e egocêntrica. ele próprio é assim. qual é a necessidade de me tratar mal? de gritar comigo? de me fazer sentir a pior pessoa do mundo, a mais insegura? não seria obrigação dele consolar-me, apoiar-me, levantar-me a auto estima e não ao contrário? então porque é que, quando estou com ele, falo com ele, só me sinto mal? porque é que já evito fazê-lo? será o amor a desaparecer? estará ele disposto a reconquistá-lo? tantas perguntas. nenhuma resposta. e se eu não aguentar mais viver assim? e se um dia, naqueles momentos maus, depois de estar horas a fio a chorar, eu simplesmente disser “acabou, não quero mais isto”? fará alguma diferença?